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LUA DE MAIO
 

Despontou no céu algo que vulgarmente chamamos de lua. Com ela, em mim, algo que significava uma sensação de onipresença. Ela já radiava, lá no céu, mas me faltava uma palavra de som cristalino. A lua! Gritava dentro e redemoinhava. Assim mesmo, ela chegou em mim e subiu às altezas do céu só para devoltar para o outro lado. Zombou de mim, a lua, de graça, numa quina de rua, entre vigas de concreto.

Veio sono, nada. Varei a madrugada enluando também. Busquei reduto numa mesa de calçada, pedi um chopp e fiquei ali. A sombra de uma morena de coxas largas apareceu. Assim como estava, meio incapacitado, meio desfazendo a atenção, permaneci de olho nela, até desgravidar, virar rocha branca e serena. Se a morena sentiu meu segredo, não sei. Só quando era dia, eu, luar do céu, trasmontes busquei dormida.

Álvaro Andrade Garcia

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