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VÍDEO INTERATIVO
 

versão 1: 2000

O vídeo chegou à internet e o que tenho visto é o de sempre: o vídeo, que foi feito para um meio onde ele ocupa a tela toda e tem linearidade obrigatória, é simplesmente digitalizado. Ocorre que CD ROMs, DVDs, etc agora são rápidos suficiente para colocar vídeos em tamanho grande e com qualidade na tela. Além disso, com a compressão mpeg estão acontecendo coisas impressionantes no que se refere à qualidade de vídeos na internet. Se você soma isso à interatividade que estes meios têm…

Estamos na era do desktop vídeo, como estivemos antes na era do desktop publishing. Os Macs com firewire do Steve Jobs, mais uma vez inovador, foram feitos para anunciar este mercado, assim como as câmeras com portas firewire que estão se proliferando como moscas. Vivemos este momento, que é muito engraçado para mim. É como se tivéssemos esperado demais para que os computadores começassem a suportar a imagem em movimento. Isso levou tempo, são 30 fotos por segundo em sucessão. O fluxo não pode parar que a imagem fica comprometida.

E aqui estamos. Inaugurando esta era, buscando conversar sobre os novos assuntos. Nessa linha resolvemos publicar i-vídeos. Neles, estamos exercitando na fronteira do dia, onde a imagem em movimento se integra a uma interface multimídia trazendo novas questões, pois o movimento tem uma temporalidade que acaba repercutindo na apresentação e na relação da informação com as pessoas.

O video interativo agora é parte de uma interface multimídia, de um conjunto muito maior de elementos de linguagem que interagem num espaço mais amplo que toda a tela. Se a gente for lembrar, o vídeo, num aplicativo multimídia começou ocupando uma janela, usualmente acionada por um botão, de preferencia um botão com aquela maquinha de filmar. Agora o que experimenta a possibilidade de ser âncora da navegação, abrindo janelas de textos e janelas de informação, além de interagir com elas.

Tecnicamente ainda temos muitas restrições. A compressão ainda é alta, é baixa velocidade de transmissão de dados, os artefatos estão em todo lugar. Mas a coisa é muito empolgante e a gente acaba esquecendo que enfrenta essas limitações. Surgem novos espaços, para a videoilustração, a audioilustração, a vídeoancoragem, o cruzamento de veios de imagem com elementos de tela.

A forma de pensar as telas nos aplicativos web e multimídia é o que mais muda, pois o vídeo traz o conceito de movimento permanente que vale uma boa discussão. Como já salientei quando apresentei o CD ROM Descobrindo o Brasil, a informação agora não mais fica parada esperando pela interação, ela está contida nos fluxos imagéticos que se constituiem nos novos aplicativos, onde os estímulos sensoriais estão começando a trabalhar mais integrados.

A internet é um espaço para o vídeo digital, que de certa forma nos oferece um retorno ao artesanato, muito distanciado do cinema e do vídeo, estabelecidos ao longo do século XX mais como espaços industriais. Fazemos parte de uma geração que nasceu imersa no mundo eletrônico e que agora tem o privilégio de usar estas habilidades em lidar com próteses sensoriais eletrônicas, cada vez mais cotidianas e reais neste momento, como fazem os ceramistas ou tapeceiros, trazendo-as para ambientes pessoais e diretamente ligados à nossa intimidade.

O vídeo interativo muda as noções de temporalidade na interface dos softwares multimídia. Os I-vídeos têm duração e nesse sentido ajudam a quebrar a estrutura atual de menus e ferramentas, sempre disponíveis para o acesso imediato nas interfaces multimídia tradicionais.

Com a vídeo ancoragem podemos acelerar os percursos, mover para frente, para trás, para os lados, pular, mas sempre estamos confrontados com a necessidade de aguardar o tempo para chegar ou partir para de algum lugar.

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